MMA e PNUD implementam iniciativa para gestão e destruição de substância cancerígena no Brasil

7/nov/2016

As PCBs são fluidos isolantes presentes, principalmente, no setor elétrico. Foto: Deni Williams/Flickr CC.

No Brasil, mais de 90% da eletricidade é proveniente de hidroelétricas. Nesse processo, utiliza-se uma série de equipamentos para transformar o potencial hidráulico em energia elétrica, dentre eles transformadores e geradores. Para que cumpram sua função, esses equipamentos necessitam estar submersos em um fluido isolante.

Até a década de 1920, utilizava-se como fluido isolante óleos minerais, muitos deles inflamáveis e, portanto, uma alta taxa de incêndios ocorria em subestações de energia elétrica.

Nesse contexto, a indústria química desenvolveu fluidos isolantes de elevada estabilidade química e térmica: as Bifenilas Policloradas (PCBs). Esse grupo de substâncias cumpria muito bem seu papel como fluido isolante, além de possuir baixa inflamabilidade, resolvendo assim o problema dos incêndios com os óleos minerais.

Porém, a partir da década de 1960, por meio de observações e de estudos epidemiológicos, descobriu-se que as PCBs eram responsáveis por causar câncer. Além disso, por ser uma molécula muito grande e não existir originalmente na natureza, ela não é facilmente degradada.  Mais: em função de sua característica hidrofóbica, quando ocorre vazamento de PCB em alguma uma superfície aquática, ela forma uma barreira que impede as trocas gasosas daquela região, afetando fauna e flora locais.

Em função dos comprovados impactos negativos das PCBs à saúde humana e ao meio ambiente, em 1981, o Brasil, apesar de nunca haver produzido a substância, baniu o uso de PCBs na indústria. O mesmo ocorreu em vários países do mundo, até que, em 2001, 152 países firmaram a Convenção de Estocolmo sobre Substâncias Químicas Perigosas, que inclui as PCBs na relação de substâncias que devem ter seu uso completamente eliminado até o final de 2025 e seus resíduos adequadamente destinados até 2028. A Convenção entrou em vigor em 2004 e, do total, apenas 34 países não a ratificaram.

O PNUD, desde 2009, trabalha em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) com o projeto “Estabelecimento da gestão de resíduos de PCB e sistemas de disposição” que visa, por meio de estudos de caso, projetos demonstrativos e análise de dados, atingir uma gestão sustentável dessas substâncias, além de fortalecer arranjos reguladores e institucionais para sua eliminação progressiva e ambientalmente sustentável.

Equipamentos contaminados pela PCB

Mesmo o Brasil tendo proibido o uso da PBC em 1981, ainda existem equipamentos com a substância no país. Isso se deve ao fato de que muitos equipamentos elétricos possuem uma vida útil de 40 a 50 anos, alguns de até 60 anos. Dessa forma, as máquinas mais antigas que ainda estão em funcionamento provavelmente carregam a PCB como fluido isolante.

Outra possibilidade de se encontrar PCB em alguns equipamentos se deve às contaminações cruzadas. Com a proibição do uso das PCBs, muitas empresas do setor elétrico começaram a retirar a substância do interior de seus equipamentos. Porém, como os mesmos são dotados de estruturas absorventes, a limpeza das máquinas é um processo difícil e complexo de se realizar. Caso resquícios de PCB permaneçam no equipamento, pode ocorrer a propagação da contaminação do novo líquido isolante.

A iniciativa do PNUD e do MMA pretende estimar a quantidade de PCB existente ainda no Brasil. Isso se fará por meio da aplicação da metodologia do Guia do Inventário de PCBs para o Setor Elétrico. Esse inventário preliminar permitirá estimar o número de equipamentos contaminados com PCBs e volume de óleo isolante contaminado pela substância.

Descarte e destinação final das PCBs

Por serem nocivas à saúde e ao ambiente, as moléculas de PCBs precisam ser destruídas, ou seja, decompostas em outras substâncias mais facilmente degradadas e menos prejudiciais.  Essa decomposição pode se dar de duas formas: pelo tratamento térmico, que consiste na queima controlada dessas substâncias em altas temperaturas; ou por meio de reações químicas.

Entretanto, a implementação das metas de eliminação das PCBs estabelecidas pela Convenção de Estocolmo é um processo complexo, uma vez que as empresas que realizam a decomposição dessas substâncias ficam longe de muitas das indústrias do setor elétrico.

 A iniciativa tem como meta estabelecer um planejamento para a eliminação completa do uso das PCBs em nível nacional, levando em consideração o ano de 2025 como meta para a extinção total, respeitando assim a Convenção de Estocolmo.

 

do PNUD

PNUD PNUD no mundo

Você está em PNUD Brasil 
Ir a PNUD Global

A

Afeganistão

Á

África do Sul

A

Albânia Angola Arábia Saudita Argélia Argentina Armênia Azerbaijão

B

Bahrein Bangladesh Barbados Belize Benim Bielorrússia Bolívia Bósnia e Herzegovina Botsuana Brasil Burkina Faso Burundi Butão

C

Cabo Verde Camarões Camboja Casaquistão Chade Chile China Chipre Colômbia Comores Costa do Marfim Costa Rica Croácia Cuba

D

Djibouti

E

Egito El Salvador Emirados Árabes Unidos Equador Eritréia Escritório do Pacífico Essuatíni Etiópia

F

Federação Russa Filipinas

G

Gabão Gâmbia Gana Geórgia Guatemala Guiana Guiné Guiné-Bissau Guiné Equatorial

H

Haiti Honduras

I

Iêmen Ilhas Maurício e Seychelles

Í

Índia

I

Indonésia Irã

J

Jamaica Jordânia

K

Kosovo Kuwait

L

Lesoto Líbano Libéria Líbia

M

Macedônia do Norte Madagascar Malásia Malauí Maldivas Mali Marrocos Mauritânia México Moçambique Moldova Mongólia Montenegro Myanmar

N

Namíbia Nepal Nicarágua Níger Nigéria

P

Panamá Papua Nova Guiné Paquistão Paraguai PDR do Laos Peru Programa de Assistência ao Povo Palestino

Q

Quênia Quirguistão

R

República Centro-Africana República Democrática do Congo República do Congo República do Iraque República Dominicana República Popular Democrática da Coreia Ruanda

S

Samoa (Escritório Multi-País) São Tomé e Príncipe Senegal Serra Leoa Sérvia Síria Somália Sri Lanka Sudão Sudão do Sul Suriname

T

Tailândia Tajiquistão Tanzânia Timor-Leste Togo Trinidad e Tobago Tucormenistão Tunísia Turquia

U

Ucrânia Uganda Uruguai Uzbequistão

V

Venezuela Vietnã

Z

Zâmbia Zimbábue