Especialistas da América Latina em substâncias químicas perigosas se reúnem em Brasília para intercâmbio de experiência em projetos nacionais

10/fev/2017

O Brasil implementa o Projeto de estabelecimento da gestão de resíduos de PCB e sistema de disposição por meio da parceria do PNUD e do MMA. Foto: Tiago Zenero/PNUD Brasil.

Cerca de 50 especialistas em substâncias químicas perigosas da América Latina e do Caribe se reuniram entre 9 e 10 de fevereiro, em Brasília, para trocar experiências sobre projetos nacionais e estudos de caso na Conferência Regional sobre Gestão de Bifenilas Policloradas (PCBs) – composto químico cancerígeno presente, principalmente, no setor elétrico

“O Brasil, assim como os demais países aqui, é signatário da Convenção de Estocolmo, que tem como meta eliminar o uso de PCB até 2025 e garantir sua disposição final adequada até 2028”, explicou o coordenador nacional do Projeto de estabelecimento da gestão de resíduos de PCB e sistema de disposição pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), Alberto da Rocha Neto.

A oficial de programa da unidade de desenvolvimento sustentável do PNUD Brasil, Rose Diegues, enfatizou que o projeto brasileiro está na sua reta final e que já há dados coletados para análise. “Com esses dados, saberemos se temos um plano adequado para gestão de PCB no Brasil ou se precisaremos realizar modificações para que ele se adeque à necessidade do setor”.

Na conferência, foram apresentados dados sobre as substâncias químicas e sobre projetos nacionais de gestão e eliminação delas. “É importante essa troca de experiência para aprendermos o que dá certo e o que funciona em cada país”, acrescentou Rose Diegues.

Para o assessor regional de químicos do escritório regional do PNUD para a América Latina e o Caribe, Carlos Andres Hernandez, o objetivo principal da Conferência é que cada país conheça a experiência de outros. “Queremos formar laços para compartilhar conhecimentos”, pontuou.

“Reuniões regionais também são importantes para sabermos o que ainda está por vir. Os países estão em diferentes fases de implementação dos projetos de PCBs e, quando um país que está em uma etapa mais avançada compartilha suas experiências com outros que ainda estão iniciando, há um grande ganho para toda a região”, concluiu Hernandez.

Gestão e eliminação de PCBs no Brasil

O Projeto de estabelecimento da gestão de resíduos de PCB e sistema de disposição é uma parceria do PNUD com o MMA e com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). A iniciativa visa criar um plano nacional para eliminação e gestão de PCBs, auxiliando, assim, o Brasil a cumprir as metas da convenção de Estocolmo – fim da utilização da substância até 2025 e a destinação final ambientalmente adequada até 2028.

“Como ações do projeto brasileiro, destacam-se o desenvolvimento de guias e manuais para inventário nacional de PCB e manuais de gerenciamento de resíduos de PCBs, a capacitação de mais de 600 técnicos de órgãos públicos e empresas que possuem PCBs, e a investigação de uma área contaminada por PCB, que auxiliou na capacitação do setor elétrico para gerenciar áreas contaminadas”, explicou Rocha Neto.

A coordenadora técnica do projeto pelo PNUD, Lorenza Alberici da Silva, destacou que também foram realizados três projetos demonstrativos com companhias elétricas do Norte, Nordeste e Sul do país, com o intuito de elaborar um inventário para construção de um plano de ação para eliminação das PCBs no Brasil.

“Como próximos passos, pretendemos realizar mais três projetos-piloto focando não apenas no setor elétrico, mas em quaisquer empresas que utilizem equipamentos contaminados por PCBs”, afirmou Lorenza Alberici da Silva.

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