Ações do projeto Bem Diverso no Acre visam à otimização de colheita de castanhas-do-Brasil

13/fev/2017

A iniciativa é parceria da Embrapa com o PNUD. Foto: Fernando Moretti/PNUD Brasil.

Fevereiro é o mês da coleta de castanha-do-Brasil, mais conhecida como castanha-do-Pará, principalmente no norte do país. Na reserva extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira, no interior do Acre, 40 famílias, das 350 que vivem no local, trabalham com o alimento.

A colheita tem caráter coletivo, ou seja, 18 famílias se unem e fazem a coleta juntas para depois dividir a produção no grupo. Dentre os coletadores, está Francisco de Souza Carvalho, morador e conselheiro deliberativo da Cazumbá-Iracema.

Neste ano, tanto Francisco quanto os outros moradores locais perceberam uma diferença no modo de colheita: toda a produção dos castanhais passou a ser monitorada pelos extrativistas. A ação faz parte do Projeto Bem Diverso, executado pela Embrapa e pelo PNUD, com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). O objetivo dessa ação é solucionar questões que a comunidade local observou, como a diminuição da quantidade de castanhas em árvores mais antigas.

“Com o monitoramento, vamos tentar trazer mais repostas para a comunidade e entender melhor a razão disso”, afirma o analista do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Tiago Juruá Ranzi.

Certos pontos do protocolo de monitoramento da produção de castanha-do-Brasil já foram adotados, e os extrativistas notaram os resultados. “Algumas castanheiras tinham cipós e não produziam. Nós fomos orientados a cortar os cipós, e tem árvore que já está dando até cinco latas de ouriço”, afirma o presidente do Núcleo de Base Cazumbá, o extrativista Afonso da Silva.

“Ao trabalhar com a castanha, o projeto foca no uso sustentável da biodiversidade para promoção da geração de renda para os extrativistas, bem como na instrução sobre os melhores métodos e práticas de manejo de solo e da biodiversidade”, explica a gerente do projeto Bem Diverso pelo PNUD, Patrícia Benthien.

Outro objetivo da iniciativa é coletar dados quanto aos custos da atividade. “Por enquanto, vale a pena fazer a coleta coletiva porque o produto está valorizado no mercado. Mas, se os preços caírem, os custos de produção podem não ser cobertos com a venda da castanha na cidade”, completa Ranzi.

Sobre os primeiros dados obtidos com o monitoramento e com o treinamento oferecido pela Embrapa, Francisco afirma: “A gente viu que é importante cuidar das mudas de castanheiras que encontramos para garantir uma produção para as futuras gerações. Além disso, o mapeamento das árvores vai ser útil para os jovens saberem onde estão as árvores e quais são mais produtivas”.