Projeto Siderurgia Sustentável comemora Dia Internacional das Florestas

20/mar/2017

O papel das florestas como fonte de energia renovável é o tema que a ONU escolheu para o Dia Internacional das Florestas em 2017, celebrado neste 21 de março.

O Projeto Siderurgia Sustentável incentiva o desenvolvimento de uma cadeia de produção siderúrgica de baixa emissão de gases de efeito estufa, que começa com o uso de carvão vegetal produzido com matéria-prima de origem legal.

Mas como relacionar energia renovável com as florestas? “A energia pode ser usada não apenas para cozinhar, aquecer lares e gerar eletricidade, mas também para produzir, com menor emissão de gases de efeito estufa, ferro-gusa, aço e ferroligas, empregados não só na construção civil, como também na fabricação de automóveis, de eletrodomésticos e até celulares”, explica a assessora técnica do Projeto Siderurgia Sustentável pelo PNUD, Monica Santos.

Ferro-fusa, aço e ferroligas são substâncias produzidas pelas siderurgias que podem utilizar o carvão vegetal como principal fonte de energia.

O Brasil é um pioneiro no setor. Entre 2005 e 2016, cerca de 25% do ferro-gusa foi produzido com carvão vegetal no país, enquanto que, no resto do mundo, a siderurgia utiliza o carvão mineral, insumo de origem fóssil, com maior potencial de emissão de gases de efeito estufa.

“A produção de carvão vegetal a partir de florestas plantadas pode reduzir a pressão sobre florestas nativas ao promover o uso de matérias-primas cultivadas legalmente, com a aplicação de técnicas adequadas de planejamento ambiental e de manejo. Dessa forma, aos estoques de carbono de matas nativas somam-se novos plantios florestais, o que incrementa as remoções de gases de efeito estufa como um todo”, explica a coordenadora técnica do Projeto Siderurgia Sustentável no Ministério do meio Ambiente, Josana Lima.

O investimento em tecnologias de produção sustentável para o carvão vegetal também resulta em ganhos para as florestas, tanto nativas quanto plantadas. “É possível produzir mais carvão vegetal com a mesma quantidade de madeira ao se usarem tecnologias mais avançadas”, ressalta o representante do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações no Comitê de Acompanhamento do Siderurgia Sustentável, Gustavo Ramos.

Minas Gerais abriga a maior produção siderúrgica a carvão vegetal. Por isso, o Projeto é implementado no estado. “Minas é o primeiro estado brasileiro a limitar, por lei, o uso de produtos ou subprodutos florestais de mata nativa a somente 5% do consumo total das indústrias a partir de 2018”, destaca o assessor de Relações Internacionais do Governo de Minas Gerais, Hugo Salomão.

Além de contribuir para diminuição do desmatamento, a produção de carvão vegetal de forma sustentável é fundamental para o desenvolvimento rural, pois gera empregos no interior dos estados. “A conquista da sustentabilidade na siderurgia a carvão vegetal daria uma contribuição considerável à meta de mitigação para a siderurgia brasileira como um todo, além de abrir a oportunidade para se entregar ao mercado internacional um produto diferenciado, o gusa verde, que nenhum outro país poderia almejar na escala proposta”, explica o representante do Ministério da Indústria, Serviços e Comércio Exterior no Projeto Siderurgia Sustentável, João Pignataro.

O Projeto Siderurgia Sustentável é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e implementado pelo PNUD. A execução do projeto conta, ainda, com Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Governo de Minas Gerais, com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

Mais informações sobre o Projeto Siderurgia Sustentável estão disponíveis no site do Ministério do Meio Ambiente.