Desafio de inovação na Campus Party Brasília promove inclusão de refugiados no mercado de trabalho

22/jun/2017

Três projetos para conectar refugiados com empregadores foram apresentados na Campus Party Brasília. Foto: Victoria Hugueney/ACNUR

Estudantes, desenvolvedores e programadores de software se reuniram, durante a Campus Party Brasília, entre os dias 15 e 16 deste mês, para o Datathon, desafio para gerar dados que possam conectar refugiados que vivem no Brasil com empregadores.  Promovido pelo ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o desafio reuniu três equipes que, ao longo de 24 horas, trabalharam para fortalecer a inserção de pessoas em situação de refúgio no mercado de trabalho nacional, por meio de inovações tecnológicas.

Durante o Datathon, as equipes foram incentivadas a também promover, de acordo com seus conhecimentos e habilidades, a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 8 – “Trabalho decente e crescimento econômico”. No fim do desafio, três projetos foram apresentados.

Com foco na recepção aos refugiados, a estudante de Relações Internacionais Marie Santana desenvolveu o projeto “Natividade”, para a criação de uma Organização Não Governamental, que promoveria o cadastro e o apadrinhamento aos solicitantes de refúgio recém-chegados no país, fornecendo atividades de coaching profissional e atendimento psicológico, com o auxílio de refugiados que já estão no Brasil. “A minha ideia teve como ponto principal a empatia, fortalecendo a conexão com aqueles que passaram pela mesma dificuldade. Dessa forma, quem já está estabelecido no país pode colaborar ativamente com a inclusão dessas pessoas em nossa sociedade”, afirmou a estudante.

Os estudantes de Engenharia Gilberto Araújo Filho e Ian Pereira desenvolveram o projeto de uma rede social que conectaria os refugiados e promoveria a troca de informações profissionais entre eles. A plataforma online, batizada de “Ubuntu”, também possibilitaria que empregadores possam anunciar vagas. “Ao longo do projeto, ocorreram excelentes trocas de ideias. Aprendi que temos que ser muito mais abertos e buscar novas ideias para atendermos as necessidades dos refugiados. Acreditamos que essa plataforma poderia conectá-los com potenciais empregadores, de acordo com a experiência profissional”, disse Gilberto Araújo.

O projeto “Welcome”, da psicóloga Aline Carvalho, foi apresentado no Datathon com o objetivo de criar uma central nacional com o perfil dos refugiados. Assim que chegassem ao Brasil, segundo o projeto, seriam encaminhados a um centro de cadastro, que promoveria o contato com empregadores.

Na avaliação de um dos monitores do Datathon, André Eloy, o desafio foi fundamental para a compreensão das necessidades dos refugiados e, também, para integrá-los à sociedade, de acordo com as experiências de cada um. “O grande aprendizado que eu tiro dessa experiência é pensar que as possibilidades são diversas e podemos ir muito além. E eu não nunca tinha parado para pensar que um refugiado tem um perfil específico. E isso mudou. Eu saio daqui percebendo que refugiados são muitas pessoas, cada uma com uma história diferente. Eles devem continuar tendo oportunidades, dentro de suas áreas de formação, continuar correndo atrás dos sonhos. No Datathon, construímos três soluções que se complementam. Cada uma contribuiu em um ponto para tornar esse sonho possível”, disse André Eloy.

Segundo Diego Nardi, Assistente de Meios de Vida do ACNUR, inovação é uma palavra central dentro dos projetos e no dia a dia das operações da agência. “Para nós, inovação é garantir processos de criação onde pessoas refugiadas estejam em primeiro lugar e que suas necessidades orientem nossos trabalhos, conectando atores e somando esforços. É justamente isso que estamos fazendo na Campus Party: trata-se de um dos maiores eventos de tecnologia e inovação do mundo, e há uma multidão de jovens talentosos ansiosos para colocar seus conhecimentos em prática, e contribuir para a integração dessas pessoas”, acrescentou.

Na opinião da Assistente de Desenvolvimento Sustentável do PNUD, Beatriz Santos, a participação da juventude é ferramenta essencial para a inclusão de todas e todos no mercado de trabalho. “Ao considerar a migração e o refúgio enquanto integrantes dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a Agenda 2030 marca uma nova era para o tema da migração internacional e refúgio nas Nações Unidas. Contar com o engajamento da juventude no alcance da Agenda 2030 e na integração das pessoas em situação de refúgio no mercado de trabalho do Brasil é essencial para construirmos coletivamente o futuro que queremos”, disse.