Hospital construído pelo Brasil no Haiti recebe nome de Zilda Arns

23/jun/2017

Os ministros brasileiros da Saúde, Ricardo Barros, e do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, a ministra da Saúde Pública e da População do Haiti, Marie Gréta Roy Clémento, e o representante residente do PNUD no Brasil, entre outras autoridades brasileiras, haitianas e das Nações Unidas, participaram nesta sexta-feira (23) da cerimônia de batismo do Hospital Comunitário de Referência Dra. Zilda Arns, em Porto Príncipe, capital do Haiti. A unidade, localizada no bairro de Bon Repos, passa a levar o nome da médica brasileira que morreu vítima do terremoto na capital haitiana em 2010. Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança e reconhecida mundialmente pelo trabalho humanitário voltado à redução da mortalidade infantil, foi três vezes indicada ao Prêmio Nobel da Paz.

O Hospital Zilda Arns é uma das três unidades de saúde construídas pelo Brasil no país, como parte do projeto internacional de reconstrução do Haiti. O hospital foi entregue ao governo haitiano em 2014 e atende mais de 200 pessoas por dia em especialidades como Ortopedia, Ginecologia, Obstetrícia e Pediatria além de Clínica Geral.

Com extensa agenda de trabalho no Haiti, nos dias 22 e 23, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, o governo do Haiti e o representante do PNUD, Niky Fabiancic, assinaram instrumento do Fundo de Reconstrução do Haiti (FRH), que autoriza o uso de US$ 20 milhões remanescentes no FRH para a saúde do país. O Brasil foi o primeiro país a contribuir para esse fundo, com doação de US$ 55 milhões em 2010. Esses recursos fortalecerão a sustentabilidade do sistema de saúde no país caribenho. O PNUD será a agência da ONU parceira do projeto de saúde do FRH.

Criado pelo governo haitiano, em parceria com doadores bilaterais e multilaterais, o Fundo tem o objetivo de reunir, mobilizar, coordenar e destinar recursos para o financiamento da recuperação, reconstrução e desenvolvimento do país. O FRH é administrado pela Associação Internacional de Desenvolvimento (International Development Association - IDA), do Grupo Banco Mundial.

Logo após a assinatura relacionada ao FRH, o ministro Ricardo Barros fez a entrega simbólica pelo Ministério da Saúde do Brasil da doação de 15 mil doses da vacina antirrábica humana para o Haiti. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)/Organização Mundial de Saúde (OMS) arcou com o transporte da carga, que chegou ao Haiti na quarta-feira (21/06). A doação ocorre em função do crescente número de casos de raiva no país. Segundo a OPAS/OMS, em 2017, já foram confirmadas três mortes pela doença.

Os ministros Ricardo Barros e Osmar Terra também se reuniram com o primeiro ministro do Haiti, Jack Guy Lafontant. No encontro, cumprimentaram o chefe de governo do país pela aprovação do projeto que garantirá a continuidade da manutenção dos hospitais construídos pelo Brasil por mais três anos e qualificar as urgências e emergências do Haiti.

A Cooperação Tripartite Brasil-Cuba-Haiti, na qual o PNUD  tem participação direta, vem desenvolvendo, em seus sete anos de existência, diversas ações importantes no Haiti, como a construção de hospitais, entre eles o Hospital Comunitário de Referência Dra. Zilda Arns, laboratórios e uma oficina de órteses e próteses, além da formação de recursos humanos e o apoio a ações de vigilância e imunização. Com investimento de R$ 135 milhões, a cooperação foi responsável pela construção de três hospitais comunitários de referência – em Carrefour, Bon Repos e Beudet – equipados e em pleno funcionamento, com atendimento diário de aproximadamente 200 pessoas cada.

Também foram reformados e equipados dois laboratórios de vigilância epidemiológica, em Cabo Haitiano e Les Cayes. As unidades realizam os principais exames necessários à identificação de doenças relevantes, como malária, dengue, tuberculose, hanseníase e cólera, e o controle de vetores e insetos. Outra unidade importante construída foi o Instituto Haitiano de Reabilitação (IHR), localizado em Bon Repos e destinado ao tratamento e reabilitação de pessoas com deficiência.

No campo da prevenção, a cooperação doou cerca de 8 milhões de doses de vacina (sarampo, rubéola e poliomielite) para serem usadas nas campanhas de vacinação. O Brasil teve participação com 11% do total orçamentário necessário ao Programa Ampliado de Vacinação do Haiti para a campanha de 2012. Também foram construídos e equipados os três depósitos para o armazenamento de vacinas, inaugurados em fevereiro deste ano.

Além disso, houve a formação de especialistas; apoio técnico e logístico, além de compra de equipamentos para a área vigilância epidemiológica. Foram selecionados e contratados profissionais haitianos especializados e com ampla experiência em vigilância epidemiológica. Também se realizou a capacitação, com a formação cerca de 1.600 profissionais de saúde, sendo 1.237 agentes comunitários de saúde polivalentes, 53 inspetores sanitários e 310 auxiliares de enfermagem polivalentes.

Na agenda do representante do PNUD no Brasil, está incluída também visita ao Batalhão Brasileiro de Força de Paz (Brabat), que comanda a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah) desde 2004. A Minustah se encerrará no próximo 15 de outubro, e o atual 26º Contingente Brasileiro foi efetivado em 2 de junho deste ano como a última tropa brasileira, a qual realizará a fase final da Missão.

Do PNUD com informações do Ministério da Saúde do Brasil.

undp-br-assinatura-haiti-2017Governo brasileiro, governo do Haiti e PNUD assinam instrumento do Fundo de Reconstrução do Haiti (FRH).
undp-br-zilda-2017Zilda Arns foi fundadora da Pastoral da Criança e reconhecida mundialmente pelo trabalho humanitário voltado à redução da mortalidade infantil. Ela foi três vezes indicada ao Prêmio Nobel da Paz. Foto: Valter Campanato/Arquivo Agência Brasil.