Seminário discute avanços e desafios de projetos de habitação social no Brasil

11/set/2017

Evento discutiu projetos para empreendimentos imobiliários em linha com a Agenda 2030. Foto: Maria Eduarda Carvalho/PNUD Brasil.

Fortalecer as políticas de habitação social para fomentar a sustentabilidade e garantir a qualidade das moradias no país foram tema de debate na Casa da ONU, em Brasília, nesta segunda-feira 11, durante o encontro “Diálogos sobre Sustentabilidade: Avanços e Desafios dos Projetos de Habitação Social no Brasil”. Representantes da Caixa, Ministério das Cidades, Building Research Establishment (BRE), da Universidade Federal da Bahia e do PNUD participaram do evento e apontaram iniciativas para alavancar projetos de moradia com foco na Agenda 2030.

Em 2014, Caixa, Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades e PNUD iniciaram um projeto, de âmbito nacional, para estruturar políticas públicas com foco na ocupação sustentável de empreendimentos habitacionais. Por meio de diagnóstico e análise da estrutura habitacional, avaliação dos empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida e o estabelecimento de um padrão sustentável de moradia, as instituições identificaram ferramentas para promover políticas habitacionais para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. As metodologias, desenvolvidas por meio da parceria, também foram apresentadas nesta segunda-feira.

“Não é somente ter uma casa e os recursos para isso. É necessário pensarmos no impacto positivo que uma moradia pode trazer a uma região e para a vida das pessoa. Temos a obrigação de cuidar do entorno em que o brasileiro vai morar”, afirmou o gerente de negócios da vice-presidência de habitação da Caixa, Luis Marcio Carvalho Andrade.

Na opinião da consultora do BRE, Ana Quintas, que apresentou as iniciativas e metodologias produzidas ao longo dos três anos do projeto, a abordagem integrada nos empreendimentos imobiliários é essencial para o desenvolvimento humano sustentável. “Temos de colaborar de forma holística, de forma colaborativa. Havia a necessidade de melhorar a qualidade da moradia social no Brasil. Identificamos que fatores como economia local, transporte, segurança, energia, água e gestão, por exemplo, são fundamentais para alcançarmos esse objetivo”, disse.

“A parceria entre as instituições é muito importante, pois os resultados servirão para ampliarmos nossa colaboração. A abordagem inovadora, principalmente para grupos de pessoas mais distantes, promove produtos mais sustentáveis. É uma metodologia única e consistente na formaulação de políticas públicas. Assim, reforço o entendimento de que responderemos à altura o chamado da Agenda 2030”, pontuou o diretor de país do PNUD, Didier Trebucq.

Na opinião da representante do movimento social de moradia, Julieta Tolentino de Abraão, o envolvimento dos futuros moradores na concepção e no acompanhamento do projeto é fundamental para a sustentabilidade das moradias. “Defendemos e acreditamos na autogestão do projeto, já pensando nas famílias que vão morar em detemrinado local. Assim, entendemos que estamos nos integrando naquele bairro específico. E não se discute sustentabilidade sem envolvimento social. Não se discute projeto sem o social. O que mais queremos é a autogestão, envolvendo a comunidade. Dessa forma as pessoas vão entender qual o impacto que elas têm no bairro e no empreendimento e quais as melhorias necessárias. E é assim que devemos trabalhar a sustentabilidade”, afirmou.

A próxima fase do projeto será aprofundar as metodologias identificadas para promover a sustentabilidade nos empreendimentos imobiliários, garantindo a inserção dos moradores no contexto local, em linha com os ODS.