Iniciativas brasileiras estão entre vencedoras do Prêmio Equatorial 2017

18/set/2017

Cerimônia de homenagem do Prêmio Equatorial 2017. Foto: Arnaldo Vargas/ PNUD.

Valorizar os esforços de comunidades globais para reduzir a pobreza por  meio da conservação e do uso sustentável da natureza é a proposta do Prêmio Equatorial, iniciativa do PNUD em parceria com a Equator Initiative, que contempla projetos do mundo inteiro. A premiação, realizada a cada dois anos, tem em sua edição de 2017 dois homenageados brasileiros, destaques na elaboração de projetos que aliam desenvolvimento e cuidado com o planeta. As iniciativas selecionadas foram homenagadas ontem (17), em Nova York.

Entre as mais de 800 indicações, provenientes de 120 países, a Equator Initiative e o PNUD selecionaram 15 iniciativas que visam proteger, restaurar e gerir a natureza para alcançar o desenvolvimento sustentável local. As áreas de atuação incluem segurança alimentar, segurança da água, meios de subsistência de empregos sustentáveis, redução de risco de desastres, além das questões transversais de direitos terrestres e hídricos, justiça social e ambiental e igualdade de gênero.

Além de contemplar as pautas do desenvolvimento sustentável, essas organizações vencedoras geraram milhares de oportunidades de emprego e renda. Como reflexo dos seus trabalhos, centenas de comunidades lucraram com significativas melhorias. Suas ações refletiram em maior segurança alimentar e garantia de água potável, proteção a espécies ameaçadas e contribuição no fortalecimento dessas comunidades contra possíveis desastres naturais. As receitas que esses projetos geraram foram reinvestidas em inciativas que contemplam ações como formação educacional e econômica para mulheres.

O Prêmio Equatorial 2017 marca o 15º aniversário da Equator Initiative, que promove soluções de desenvolvimento sustentável locais, baseadas na defesa da natureza. Além do PNUD, são parceiros da iniciativa os governos da Alemanha, Noruega e Suécia, a Conservação Internacional, a Convenção sobre a Diversidade Biológica, EcoAgriculture, a Universidade Fordham, a União Internacional para a Conservação da Natureza, The Nature Conservancy, PCI Media Impact, Rainforest Foundation Norway, Rare, a ONU Meio Ambiente, Fundação das Nações Unidas, USAID e a Wildlife Conservation Society.

Os vencedores do Prêmio Equatorial 2017 receberão 10 mil dólares cada um e a oportunidade de enviar um representante da comunidade para participar de uma cúpula internacional, em Nova York, durante a 72ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Além disso, terão direito a homenagem na Cerimônia de Premiação, que contará com a participação de celebridades que apoiam as Nações Unidas, membros de governos e da própria ONU, da sociedade civil e dos meios de comunicação. Os vencedores se integram a uma rede de 223 comunidades de 72 países que já receberam prêmio desde 2002, ano de sua criação.

Vencedores Brasileiros

Entre as iniciativas vencedoras, duas são brasileiras: a Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa) e a Associação Terra Indígena Xingu (ATIX). Conheça um pouco mais sobre as associações:

Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa)

Localizada no coração da Floresta Amazônica, a Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa) utiliza o mapeamento 3D participativo, advocacy, educação e intercâmbio cultural para garantir florestas e comunidades saudáveis. Criada em 1993, a associação está localizada na Terra Kampa, região do Acre que faz fronteira com o Peru.

O  mapeamento participativo 3D para demarcar e apoiar a administração autônoma dos territórios indígenas e trabalhar as pautas de luta pela terra, demarcação do território e autonomia foi a iniciativa da Associação reconhecida pelo Prêmio Equatorial 2017.

Associação Terra Indígena Xingu (ATIX)

Primeira organização comunitária a obter certificação orgânica no Brasil, a ATIX produz duas toneladas de mel orgânico certificado anualmente para gerar renda, manter uma cultura indígena ativa e promover meios de subsistência sustentáveis tradicionais nos 27.000 km² da Terra Indígena Xingu. Existente desde 1995, a associação está baseada na área do Xingu, na aldeia de Moygu, em Mato Grosso, e reúne 16 etnias.

Reivindicando a preservação da aldeia e a demarcação de suas terras, a certificação dos produtos orgânicos da Associação, realizada pelo Ministério da Agricultura brasileiro e o primeiro garantido a uma comunidade indígena, foi o projeto que os levou à premiação. O grupo também criou o selo de “Origem do Brasil”, auxiliando na exportação e divulgação do produto e na preservação das culturas e produções tradicionais.

 

Para mais informações, acesse o site do projeto www.equatorinitiative.org. Doações ao Prêmio Equatorial podem ser feitas pela plataforma Digital Good do PNUD:https://give.undp.org/campaign/equator-initiative/c133534.