Seminário discute impactos da mudança do clima na erradicação da pobreza e no desenvolvimento humano

27/out/2017

Evento em Brasília foi a terceira edição do ciclo de "Diálogos Estratégicos sobre Mudança do Clima". Foto: Guilherme Larsen/PNUD Brasil.

Representantes de governos, sociedade civil e organismos internacionais se reuniram nesta quinta-feira 26, em Brasília, na Casa da ONU, para o Seminário “Diálogos Estratégicos sobre Mudança do Clima, Erradicação da Pobreza e Desenvolvimento Humano”. No evento, os participantes discutiram como promover políticas para diminuir os efeitos adversos da mudança do clima, com base Agenda 2030 e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Na abertura do seminário, realizado pelo Sistema ONU no Brasil, com apoio da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL), ONU Meio Ambiente, Programação das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o coordenador residente interino da ONU no país e diretor de país do PNUD, Didier Trebucq, ressaltou que a mudança do clima afeta diretamente a capacidade de desenvolvimento dos países.

 “Desastres naturais levam 24 milhões de pessoas por ano à pobreza e estão diretamente ligados à mudança do clima. O desenvolvimento dos países e a erradicação da pobreza sofrem com os impactos da mudança do clima. Mas devemos reconhecer todos os esforços que o governo brasileiro tem feito. Quando o Brasil anunciou, em setembro de 2015, uma meta de redução das emissões de 37% em 2025, em relação aos níves de 2005, foi um dos únicos países em desenvolvimento a assumir uma meta absoluta de redução”, disse Didier Trebcuq.

Na avaliação do diretor do Departamento de Políticas em Mudanças do Clima do Ministério do Meio Ambiente, José Miguez, que participou da abertura do evento, políticas públicas integradas fortalecem o combate à mudança do clima. “O Acordo de Paris é um chamado para a reflexão sobre o tema. É uma mudança de direção. Além do esforço global de cooperação internacional, há as obrigações nacionais. Nosso esforço é reduzir as emissões, para gerar oportunidades, inovação e empregos”, afirmou.

Para o diretor do escritório da CEPAL no Brasil, Carlos Mussi, “a mudança do clima, a erradicação da pobreza e o desenvolvimento humano estão diretamente conectados”. Segundo ele, “temos que pensar de forma integrada para termos sinergia nas ações que fortalecem o desenvolvimento, de maneira holística”.

O representante adjunto do UNFPA, Yves Sassenrath, destacou que a formulação de políticas públicas deve gerar mudança de padrões. “A desigualdade não é somente o que as pessoas têm, a desigualdade é o que as pessoas conseguem ou não fazer. Populações rurais e que vivem próximas às florestas, por exemplo, estão em situação de maior vulnerabilidade. São informações importantes para levarmos em conta para inspirarmos as políticas públicas e fazermos uma mudança significativa e sustentável”, afirmou. 

A representante da ONU Meio Ambiente no Brasil, Denise Hamú, encerrou o seminário. Ela ressaltou que a série de “Diálogos Estratégicos sobre Mudança do Clima” é fundamental para disseminar boas práticas em curso no país. “Essa iniciativa, que nasceu no contexto da Equipe de País da ONU, é fundamental para trazermos parceiros aos debates, discutirmos projetos em andamento e refletir sobre o conhecimento gerado em diversas áreas”, ressaltou. Na série de eventos, fomentada pela agência, a relação entre mudança do clima com segurança energética e alimentar e com mobilidade  humana foram discutidas nas edições anteriores. Os próximos encontros colocarão em pauta saúde, cultura e ciência.

 

Glossário

No seminário, foi lançado o Glossário do ODS 13, objetivo que defende a tomada de medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos, reconhecendo que a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima é o fórum internacional, intergovernamental primário para negociar a resposta global ao problema. O Glossário apresenta termos e definições sobre a mudança global do clima e também o texto do Acordo de Paris, com o objetivo de disseminar o conteúdo em língua portuguesa.

A série de glossários, um para cada ODS, tem como objetivo apresentar, de forma qualificada, definições internacionalmente acordadas, bem como aquelas observadas como mais pertinentes à realidade brasileira, dos principais conceitos contidos na redação das 169 metas dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Os glossários abordam temas importantes, com vistas a levá-los para debate de forma neutra e a fim de que pessoas e instituições possam propor ações construtivas a partir deles. A edição dos Glossários é feita pelo Grupo Assessor do Sistema ONU no Brasil para a Agenda 2030.