Bobby Moon

Mais de 200 pessoas são atendidas por dia no hospital comunitário em Porto Príncipe, no Haiti, que leva o nome da médica brasileira três vezes indicada ao Nobel da Paz: Zilda Arns. Vítima fatal do terremoto que devastou a capital haitiana em 2010, Zilda era pediatra, um dos focos de atendimento da unidade de saúde, que também oferece assistência em outras especialidades, como Ortopedia, Ginecologia e Obstetrícia.

Entregue ao governo haitiano em 2014, e inaugurado oficialmente em 2017, o hospital é um dos três construídos pelo Brasil no país, como parte do projeto "Fortalecimento da Autoridade Sanitária do Haiti", cooperação tripartite Brasil-Cuba-Haiti. É implementado pelo Ministério da Saúde brasileiro com apoio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do governo cubano, da Organização Pan-americana da Saúde/Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS) do Haiti, do Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projetos (UNOPS) e do PNUD Brasil.

Em fase final de desenvolvimento, os resultados do projeto são apresentados no documentário institucional "Haiti 12 Janvier", que apresenta o impacto da construção dos hospitais para a população local. Localizados nas regiões de Bon Repos, Beudet e Carrefour, além dos milhares de moradores das comunidades do entorno, as unidades de saúde atraem também pacientes de regiões mais distantes.

Foi o caso de Marcelin Rosilaine, grávida de trigêmeos, que encontrou no Hospital de Bon Repos a estrutura necessária para o delicado parto cesárea ao qual precisou ser submetida. O médico Macmy St-Hilaire, que acompanhou a paciente, explica no vídeo que nem todos os hospitais haitianos contam com equipamentos de reanimação cardiorrespiratória e a infraestrutura necessária para atender possíveis complicações após o nascimento.

"Uma cesariana como essa não se faz em qualquer lugar. Cesariana para uma criança já é complicada. Agora, para o parto de três crianças, é preciso ter uma estrutura para recebê-las, é preciso ter material, pediatra disponível, equipamento para reanimar, se for necessária uma reanimação. Tenho que dizer que não há muitos hospitais no país capazes de realizar esse tipo de procedimento", diz o médico, que é diretor do HCR Drª Zilda Arns, e comemora o parto bem-sucedido das crianças.

Cooperação sul-sul

Graças ao projeto, que teve duração de 13 anos, além dos hospitais de referência, também foram construídos um instituto de reabilitação e um laboratório de órteses e próteses; reformados dois laboratórios centrais; formados mais de 1.500 profissionais da área de saúde; entregues mais de 100 mil doses de vacinas e 400 toneladas de medicamentos; e compradas 30 ambulâncias.

"Esta foi uma oportunidade de demonstrar que uma nação emergente como o Brasil pode e deve colaborar para a promoção do desenvolvimento de outros países que compartilham desafios e experiências semelhantes, transferindo seu conhecimento, sua experiência, sua cultura, mas também aprendendo muito", afirmou o diretor de país do PNUD Brasil, Didier Trebucq, em discurso na cerimônia de encerramento do projeto.

O diretor também destacou que a experiência brasileira de Cooperação Sul-Sul foi um laboratório no qual o país desenvolveu e aprimorou habilidades de ajuda humanitária. Os resultados positivos colaboraram para a continuidade dos esforços no Haiti, por meio de um novo projeto de implementação direta do PNUD, financiado com recursos do Fundo de Reconstrução do Haiti, com valor de USD 20 milhões e vigência até 2020.

"O trabalho realizado no escopo do projeto antigo e a sua continuação através do novo projeto nos permite crer que estamos no caminho certo, que devemos continuar investindo onde precisa ser investido. Demonstra que lideranças nacionais estão cumprindo seu papel e realizando ações indispensáveis para o alcance das metas globais mais ambiciosas, como aquelas previstas na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável", conclui.

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