Na Argélia, a inclusão de mulheres nas capacitações está entre as maiores conquistas da parceria

Celebrar parcerias de sucesso que inspiraram o desenvolvimento na África e marcaram as relações entre brasileiros e africanos é o objetivo de uma publicação da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e do PNUD. O texto sobre cooperação técnica entre Brasil e cinco países da África, disponível em português, inglês e francês, mostra como os brasileiros passaram a atuar, nos últimos anos, como atores relevantes da Cooperação Sul-Sul (CSS), um mecanismo de interação entre países em desenvolvimento que tem adquirido força e importância crescente nas últimas décadas.

Desenvolvidas pela ABC, as iniciativas de CSS são possíveis graças ao conhecimento técnico e às parcerias estabelecidas com as instituições brasileiras cooperantes e com os governos dos países estrangeiros participantes de cada projeto.

Assim foi feito nos projetos de cooperação com Argélia, Benim, Botsuana, Senegal e Togo, relatados na publicação. Conforme explica o oficial de programa em cooperação Sul-Sul do PNUD, Daniel Furst, todas essas ações foram implementadas no âmbito do projeto de Consolidação da Cooperação Técnica Sul-Sul brasileira, que atua por meio do compartilhamento, com os países parceiros, de conhecimentos e know-how técnico das instituições nacionais como inspiração para o desenvolvimento de políticas públicas adequadas às realidades locais.

O coordenador-geral de África, Ásia, Oceania e Oriente Médio da ABC, Nelci Caixeta, conta que esses projetos já se encerraram, no entanto, renderam novas fases e propostas de cooperação técnica. "A Argélia, por exemplo, a partir da execução do projeto, apresentou mais cinco propostas a fim de expandir a ourivesaria e o artesanato para outras regiões do país, bem como um pedido de reforço para a produção do artesanato em couro", afirma.

Argélia – Preciosidade do Saara

Na Argélia, a cooperação de uma década com o Brasil resultou no compartilhamento de técnicas modernas de joalheria, em especial na região de Tamanrasset, rica em material geológico a ser lapidado.

Um dos principais resultados dessa iniciativa, que completou dez anos em 2018, foi a implantação de uma escola-piloto, onde tem sido realizadas capacitações para o aperfeiçoamento dos artesãos de Tamanrasset e de outras regiões do país. Para tanto, especialistas brasileiros compartilharam com os artesãos argelinos novas técnicas de trabalho com joias, mais modernas e que propiciam melhores condições laborais, utilizando maquinários e equipamentos doados pelo Brasil.

Entre as maiores conquistas da parceria está a inclusão de mulheres nas capacitações realizadas no âmbito do projeto. O setor de ourivesaria e artesanato era predominantemente de homens, mas mulheres passaram a integrar os cursos na Escola-Piloto e, aos poucos, ganharam espaço e reconhecimento local. O projeto já formou artesãs em ourivesaria, design de joias manual e 3D, e artesanato mineral.

Uma das artesãs formadas, Tandarat Bengaoui, que já tem até a própria loja para vender as joias que produz, destacou a importância de ser uma das pioneiras na região. "Sinto orgulho de ser a primeira mulher a ingressar na escola e estar abrindo o caminho para outras mulheres".

Benim – Desenvolvimento do Cooperativismo Rural

No Benim, especialistas brasileiros capacitaram professores de Cotonou, a capital econômica do país, sobre como o cooperativismo e a agricultura familiar podem caminhar juntos com a sustentabilidade e o respeito ao meio ambiente.

A primeira etapa envolveu a capacitação do corpo docente da Escola Agrícola Médji de Sékou (LAMS). Ao todo, 28 professores multiplicadores foram capacitados sobre empreendedorismo, cooperativismo e agroecologia. Eles, por sua vez, repassarão seus conhecimentos a outros docentes e egressos do LAMS.

A segunda etapa foi a implantação de um ateliê de transformação alimentar que serviria, também, de incubadora de empreendimentos para o apoio dos projetos cooperativistas da região. A "incubadora", que foi instalada no mesmo terreno do colégio e contou com a doação brasileira do maquinário próprio para beneficiamento, tem salas para a recepção dos alimentos, armazenagem, além de um espaço destinado à venda dos produtos para a comunidade.

O professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA) e coordenador da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP), Carlos Alex Cypriano, um dos especialistas brasileiros que ajudaram a idealizar e instalar a incubadora no Benim, afirma que "o ateliê de transformação alimentar, como eles chamam, foi equipado com adequação sociotécnica, ou seja, com equipamentos que eles pudessem se apropriar de forma a não se complicar".

Botsuana – Juntos, somos mais fortes

O projeto de cooperação técnica entre Brasil e Botsuana capacitou pequenos produtores da região de Kweneng North a fortalecer a agricultura local por meio do cooperativismo.

Em 2014, o Brasil recebeu a visita de 20 botsuanenses para dar início ao projeto. No primeiro momento, 10 dirigentes do governo do Botsuana e produtores de Kweneng North puderam aprender como uma cooperativa funciona. Já no fim daquele ano, outros 10 botsuanenses, entre representantes do Ministério da Agricultura e produtores daquela região, também visitaram o Brasil para outra capacitação. No ano seguinte, tiveram início as formações em Botsuana.

Ao final do projeto, estava previsto que os produtores locais capacitados em produção de hortaliças e em gestão organizacional de cooperativas elaborassem um plano-piloto de uma cooperativa-modelo em horticultura. O plano correu como esperado. Nascia ali a Cooperativa de Horticultores de Kweneng North, a primeira da região. E ela não demorou a fazer parte do mercado de Botsuana e a acumular conquistas importantes. "Hoje, grande parte dos nossos alimentos vem da África do Sul, mas sabemos que podemos ser nós a alimentar nossa população. As cooperativas agrícolas são um meio importante para a redução do custo de produção", declarou o presidente da Cooperativa, Kagiso Nkago.

A iniciativa de fortalecimento do cooperativismo em Botsuana entra agora em sua nova etapa. Serão três anos, a começar em 2019. Essa segunda fase vai focar na dificuldade do manejo das colheitas, bem como na gestão e comercialização dos produtos da cooperativa.

Senegal – Apoio ao desenvolvimento do Projeto PAIS

A colaboração entre o Brasil e o Senegal levou infraestrutura e técnica a pequenos produtores familiares no intuito de produzir renda e gerar emprego.

Em 2012, especialistas brasileiros trabalharam no desenvolvimento do projeto de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), sistema que integra técnicas simples de produção agrícola baseadas em modelos utilizados por pequenos produtores. Ele ensina famílias de baixa renda a cultivar em sua propriedade rural, de forma sustentável e rentável, empregando os recursos disponíveis no próprio local.

O governo do Senegal escolheu quais seriam as regiões e as propriedades contempladas, e o governo brasileiro entrou com tecnologia, estrutura e capacitação para que fossem montadas as unidades PAIS. O foco de ação foi estruturado então, em cada unidade, em cima de quatro eixos: Horticultura, Avicultura, Fruticultura e Piscicultura.

Todos os produtores envolvidos se mostraram bastante satisfeitos com a iniciativa e relataram melhora na qualidade de vida após os conhecimentos adquiridos por meio do projeto e das infraestruturas instaladas em suas propriedades. Uma delas, localizada em Dakar, transformou a vida de Mafoudji Soné. No que se refere à produção de hortaliças, Mafoudji passou a produzir berinjela, pimenta e batata doce. A sua criação de galinhas destaca-se também dos demais setores e conta com um plantel de 130 cabeças.

Os resultados da cooperação técnica foram tão efetivos que a Agência Nacional de Integração e Desenvolvimento Agrícola (ANIDA), do Senegal, transformou a iniciativa brasileira em uma política de governo. O Sistema PAIS deve agora ser implementado em outras regiões para que o conceito ajude a alavancar a agricultura familiar do país africano.

O desejo do governo senegalês de dar continuidade ao projeto original resultou numa segunda fase, iniciada em julho de 2018. Agora, a meta da cooperação técnica é estender a iniciativa por três anos e fortalecer ainda mais o conceito de agroecologia entre os pequenos produtores do Senegal.

Togo – Aumento da produção de mandioca

A cooperação técnica entre Brasil e Togo compartilhou com especialistas e produtores africanos técnicas de plantação, colheita e processamento da mandioca.

Os primeiros cursos foram ministrados no Brasil, em junho de 2011, no Centro Nacional de Pesquisa de Mandioca e Fruticultura (CNPMF) da Embrapa, em Cruz das Almas-BA, e foram um primeiro passo no compartilhamento do conhecimento brasileiro. Dois anos depois, a ABC e a Embrapa organizaram mais uma capacitação, agora em solo africano, na capital Lomé. A ideia era formar os especialistas togoleses em qualidade física, fisiológica e fitossanitária das sementes de mandioca, iniciativa alinhada com a política de modernização da agricultura no Togo, promovida pelo governo, e que contribuiria com o melhoramento dessa cultura no país.

Na primeira visita, em 2011, os togoleses ficaram encantados com a variedade de mandiocas brasileiras e quiseram levá-las para Togo. Assim, o projeto ganhou uma nova componente: a de introdução de material genético. Em julho de 2014, a ABC e a Embrapa Mandioca e Fruticultura deram continuidade às capacitações. Sob a tutela da Embrapa, novos técnicos togoleses estiveram no Brasil para consolidar os conhecimentos adquiridos no plantio, colheita e processamento da mandioca.

A plantação das novas variedades de mandioca, no Togo, foi realizada entre dezembro de 2014 e março de 2015. Agora, novas mudas podem ser produzidas e distribuídas pelo país.

Icon of SDG 01 Icon of SDG 02 Icon of SDG 04 Icon of SDG 05 Icon of SDG 08 Icon of SDG 09 Icon of SDG 10 Icon of SDG 12 Icon of SDG 17

PNUD PNUD no mundo

Você está em PNUD Brasil 
Ir a PNUD Global

A

Afeganistão

Á

África do Sul

A

Albânia Angola Arábia Saudita Argélia Argentina Armênia Azerbaijão

B

Bahrein Bangladesh Barbados Belize Benim Bielorrússia Bolívia Bósnia e Herzegovina Botsuana Brasil Burkina Faso Burundi Butão

C

Cabo Verde Camarões Camboja Casaquistão Chade Chile China Chipre Colômbia Comores Costa do Marfim Costa Rica Croácia Cuba

D

Djibouti

E

Egito El Salvador Emirados Árabes Unidos Equador Eritréia Escritório do Pacífico Essuatíni Etiópia

F

Federação Russa Filipinas

G

Gabão Gâmbia Gana Geórgia Guatemala Guiana Guiné Guiné-Bissau Guiné Equatorial

H

Haiti Honduras

I

Iêmen Ilhas Maurício e Seychelles

Í

Índia

I

Indonésia Irã

J

Jamaica Jordânia

K

Kosovo Kuwait

L

Lesoto Líbano Libéria Líbia

M

Macedônia do Norte Madagascar Malásia Malauí Maldivas Mali Marrocos Mauritânia México Moçambique Moldova Mongólia Montenegro Myanmar

N

Namíbia Nepal Nicarágua Níger Nigéria

P

Panamá Papua Nova Guiné Paquistão Paraguai PDR do Laos Peru Programa de Assistência ao Povo Palestino

Q

Quênia Quirguistão

R

República Centro-Africana República Democrática do Congo República do Congo República do Iraque República Dominicana República Popular Democrática da Coreia Ruanda

S

Samoa (Escritório Multi-País) São Tomé e Príncipe Senegal Serra Leoa Sérvia Síria Somália Sri Lanka Sudão Sudão do Sul Suriname

T

Tailândia Tajiquistão Tanzânia Timor-Leste Togo Trinidad e Tobago Tucormenistão Tunísia Turquia

U

Ucrânia Uganda Uruguai Uzbequistão

V

Venezuela Vietnã

Z

Zâmbia Zimbábue