Cooperação entre Brasil e África promove desenvolvimento humano e tecnológico no setor algodoeiro

25/nov/2016

Projeto Cotton 4+Togo reúne especialistas brasileiros e africanos para otimizar produção e compartilhar experiências. Foto: Fabiano José Perina/EMBRAPA

Benin é um país da África ocidental com população de aproximadamente 9 milhões de habitantes e PIB de 8,3 milhões de dólares. Para gerar cerca de 10% do PIB do país, grande parte da sociedade trabalha no meio rural com a produção de algodão, um produto estratégico para a política e o desenvolvimento da região.

Na África, outros países apresentam situação similar à de Benin: Burquina Faso, Chade e Mali. “Mais de 10 milhões de pessoas na região dependem diretamente da produção algodoeira, e outros milhões são indiretamente afetados por problemas enfrentados pelo setor, que passa por diversos desafios nos âmbitos nacional e internacional”, afirma o oficial de programa em cooperação Sul-Sul do PNUD, Daniel Furst.

O Brasil, como liderança mundial em tecnologia de plantio direto de algodão, iniciou em 2009 um projeto de cooperação Sul-Sul com os quatro países africanos, tendo em vista otimizar o desenvolvimento tecnológico da produção de algodão na África, assim como o empoderamento dos agricultores e lideranças locais.

O projeto é resultado de parceria entre  a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o governo dos quatro países africanos, conhecidos como Cotton-4, e o PNUD.

“Pensa em uma cidade crescendo do chão imediatamente: cada rua, semáforo, prédio, loja, tudo isso. Isso é o Cotton-4”, explica o coordenador do projeto pela EMBRAPA, José Geraldo Di Stefano.

O Brasil apresentou à África um modelo de cooperação para um projeto que pudesse ser desenhado em conjunto entre os países. “O modelo da cooperação brasileira é diferente. Os outros chegam com um modelo já pronto, e eles obrigam a aplicá-lo. O modelo brasileiro é concebido junto com os países parceiros”, afirma o responsável administrativo e financeiro do projeto Cotton-4, Boubacar Diombana.

Além da troca de experiência de forma horizontal, por meio do projeto, houve a modernização tecnológica da produção de algodão na África. “É inédito o que essa cooperação nos trouxe. Hoje, com apenas um clique na tela, posso fazer análises estáticas e revelar as diferenças analisadas ”, relata o chefe do departamento técnico e administrativo do centro de pesquisas agrícolas de Benin, Sinha Maurice.

A transferência de tecnologia, contudo, envolveu uma série de estudos em outras áreas, como na parte social e cultural. “Como fazer transferência de tecnologia em um país com uma cultura completamente diferente, com vários dialetos, várias línguas locais? É preciso ter uma preocupação com a sociedade, para produzir algo que melhore as condições de trabalho e a qualidade de vida”, conta Di Stefano.

O projeto é baseado em quatro eixos de sustentabilidade: sociocultural, econômico, tecnológico e ambiental. “Com todos esses eixos, o foco da coordenação é melhorar a qualidade de vida dos países com que estamos trabalhando, principalmente das crianças”, afirma o coordenador do projeto.

Dessa forma, a transferência tecnológica é fundamental para que haja melhora da qualidade de vida dos produtores e agricultores locais, principalmente com a redução do tempo que as pessoas passam no campo. “Nos momentos de alta temperatura, a 10 centímetros do solo, faz 67º C. É aí que entra a tecnologia agregada ao conhecimento, para que as pessoas não se submetam a essas condições”, explica Di Stefano.

A primeira fase do projeto terminou em 2013. “Nesse ano, nós produzimos duas toneladas [de algodão] por hectare, o que representa uma exceção no Mali”, conta o técnico agrícola do projeto, Sidiki. A média de produção do algodão por hectare no campo é de 800 quilos a uma tonelada. Na estação, a produção máxima do algodão por hectare chegou a seis toneladas.

Além disso, outros resultados positivos do projeto destacam a revitalização da estação experimental de Sotuba, no Mali; a difusão da produção científica com foco no crescimento socioeconômico das comunidades; o acesso de pequenos produtores às técnicas que fortalecem a cadeia produtiva do algodão; e a elaboração de boas práticas agrícolas e circulares técnicas. Ao todo, foram 21 capacitações e 425 técnicos treinados.

A segunda fase da iniciativa incluiu o Togo como parceiro da cooperação, formando assim o Cotton 4+Togo, que começou a ser implementada em 2014.

Para essa segunda fase, a expectativa é contar com a participação ativa de todos os países integrantes do projeto, principalmente com os resultados da troca de experiências que aconteceram na primeira etapa da iniciativa. “O processo é de aprendizagem para todos os envolvidos no projeto. Tivemos um avanço trabalhando de forma participativa, de forma horizontal com os países e construindo juntos toda essa aprendizagem nesse processo de transferência de conhecimento”, relata o coordenador de projetos na África, Ásia e Oceania da ABC, Nelci Peres Caixeta.

A transversalidade das tecnologias proposta pelo projeto inclui: melhoramento genético, manejo integrado de pragas e plantio direto sob cobertura vegetal. Essas técnicas, além de ajudar a diminuir a intensidade dessas mudanças no meio ambiente, também contribuem para a redução de pobreza e desenvolvimento humano local.

“O foco da iniciativa é o ser humano e, para isso, o projeto semeia não somente sob uma visão tecnológica, mas também uma visão antropológica, visando ao fortalecimento dos países para enfrentar os grandes problemas pelo qual o continente passará nas próximas décadas”, completa Di Stefano. “Fui trabalhar lá pelas crianças, mas não pelas crianças que estavam nas ruas hoje, e sim para os netos delas”, conclui.

Devido ao sucesso da iniciativa, o Cotton-4 inspirou outros dois projetos de cooperação entre o Brasil e a África no ramo algodoeiro. O Cotton Shire-Zambeze: Projeto regional de fortalecimento do setor algodoeiro nas bacias do baixo Shire-Zambeze, incluiu Malauí e Moçambique; e o Cotton Victoria, trouxe Burundi, Quênia e Tanzânia como parceiros.

Em 2016, a iniciativa recebeu o primeiro Prêmio “S3 Award” de Cooperação Sul-Sul para Desenvolvimento Sustentável, organizado pelo escritório regional do PNUD para a América Latina e o Caribe (RBLAC), com apoio do Escritório de Apoio a Políticas e Programas/Cooperação Sul-Sul (BPPS/SSC), de Nova York.

O projeto de cooperação brasileira foi um dos quatro vencedores do prêmio, que teve a participação de 33 projetos de 19 países da América Latina. O objetivo foi mostrar e reconhecer boas práticas na Cooperação Sul-Sul, a fim de promover mais e melhores iniciativas.

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