Conflito prolongado tornaria Iêmen o país mais pobre do mundo, aponta estudo do PNUD

4 de October de 2019

Nova York – O Iêmen se tornará o país mais pobre do mundo se seu conflito persistir até 2022, projeta novo relatório do PNUD.

Desde 2014, a guerra elevou a pobreza no Iêmen de 47% da população para uma projeção de 75% até o fim de 2019. Se os combates continuarem até 2022, o Iêmen será considerado o país mais pobre do mundo, com 79% da população vivendo abaixo da linha da pobreza, e 65% classificados como extremamente pobres, diz o relatório Avaliando o Impacto da Guerra no Iêmen na Implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O relatório, divulgado em 26 de setembro e produzido para o PNUD pelo Pardee Center for International Futures, da Universidade de Denver, aponta que, na ausência de conflito, o Iêmen poderia ter feito progressos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, plano global de combate à pobreza acordado em 2015, cuja data-limite de cumprimento é 2030. No entanto, mais de quatro anos de conflito armado atrasaram o desenvolvimento humano do Iêmen em 21 anos – e o país provavelmente não alcançaria nenhum dos ODS mesmo que a guerra cessasse hoje.

"A guerra já fez do Iêmen o maior desastre humanitário do mundo e, agora, ameaça tornar sua população a mais pobre do mundo", afirma o Administrador do PNUD, Achim Steiner. "O trabalho do PNUD, com o apoio de parceiros internacionais e como parte do engajamento geral da ONU, está focado em ajudar os iemenitas a manter instituições e empresas operando para garantir que haja uma base sólida para a recuperação do país quando a paz retornar".

Usando modelagem de dados e informações de código aberto de ponta, o relatório conclui que a guerra do Iêmen terá mais do que triplicado a proporção da população que vive em extrema pobreza, caso o conflito persista. O número dispara de 19% da população em 2014 para uma projeção de 65% em 2022.

A intensidade da pobreza também aumentou, com projeções de que, em 2022, o Iêmen terá o maior hiato de pobreza – a distância entre a renda média e a linha de pobreza – no mundo.

O aumento da pobreza no Iêmen é impulsionado por fatores atribuídos à guerra, incluindo o colapso da economia, que perdeu US$ 89 bilhões em atividade econômica desde 2015. O conflito despedaçou mercados e instituições e destruiu a infraestrutura social e econômica do país, enquanto as desigualdades aumentaram drasticamente. O PIB per capita caiu de US$ 3.577 para US$ 1.950, um nível não observado no Iêmen desde antes de 1960. O país agora é classificado como o segundo mais desigual do mundo em termos de renda, ultrapassando outros 100 países em níveis de desigualdade nos últimos cinco anos.

O relatório, lançado em um evento paralelo à Assembleia Geral das Nações Unidas organizado pela Alemanha e pelo PNUD, também identifica picos de desnutrição no Iêmen. Em 2014, 25% da população estava desnutrida, mas o relatório estima que esse número esteja agora perto de 36% e, se o conflito continuar, poderá chegar a quase 50% até 2022. Até o fim de 2019, a ingestão calórica por pessoa terá caído 20% em relação aos níveis de 2014.

O relatório contém projeções especialmente desastrosas caso a guerra permaneça na próxima década. Se os combates continuarem até 2030, 78% dos iemenitas viverão em extrema pobreza, 95% serão desnutridos, e 84% das crianças terão definhado.

O PNUD divulga o relatório no momento em que agências das Nações Unidas, ONGs e parceiros internacionais procuram expandir o trabalho humanitário e de desenvolvimento de urgência em todo o Iêmen para salvar vidas, atender às necessidades humanitárias e contribuir para a resiliência no país, e enquanto seguem as negociações de paz apoiadas pela ONU.

"Este relatório é um lembrete de que o Iêmen não pode esperar. Temos que agir agora", diz o Representante Permanente Adjunto da Alemanha nas Nações Unidas, Embaixador Jürgen Schulz. "Sem uma solução política, veremos o Iêmen desaparecer diante de nossos olhos. É por isso que não há alternativa aos esforços do Enviado Especial Martin Griffiths para avançar em um processo político inclusivo".

Mais de 80% dos cerca de 30 milhões de habitantes do Iêmen necessitam de assistência e proteção humanitária. O relatório argumenta que, se o país permanecer em guerra até 2030, as próximas gerações é que arcarão com os custos, com a pobreza cada vez mais profunda, as instituições dizimadas, e o Iêmen mais vulnerável a um ciclo contínuo de conflitos e sofrimento.

O PNUD trabalha em todo o Iêmen para ajudar a atender às necessidades mais básicas e restaurar os meios de subsistência da população, apoiar as comunidades e promover a construção da paz.