Foto: Pedro Maziero

O PNUD lançou, nesta manhã, em Brasília, o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) de 2019, intitulado "Além da renda, além das médias, além do hoje: desigualdades no desenvolvimento humano no século XXI".

  • Acesse a íntegra do relatório aqui.

O evento reuniu representantes do governo federal, do corpo diplomático, da sociedade civil e da academia para apresentar os resultados do documento, que aponta ganhos substanciais nos níveis básicos de saúde, educação e padrão de vida ao redor do mundo, ao mesmo tempo em que destaca: as necessidades de muitas pessoas permanecem não atendidas, e uma próxima geração de desigualdades se inicia.

Ao abrir a cerimônia, a representante-residente do PNUD no Brasil, Katyna Argueta, destacou que o RDH explora, com novas lentes, as diferentes desigualdades nos distintos grupos populacionais, e propõe que a desigualdade seja explorada além da renda, além das médias e além do hoje. "Além da renda porque existem fatores relacionados às oportunidades de acesso à dignidade, ao respeito e aos direitos, não necessariamente vinculadas a desigualdades econômicas. Além das médias porque a tirania das médias simplifica e distorce o debate. Além do hoje porque o mundo está mudando muito rapidamente, e devemos considerar os novos fatores que estão delinenando as iniquidades do futuro", afirmou Argueta.

Ninguém para trás

Representando o governo federal, a secretária executiva do Ministério da Cidadania, Ana Maria Pellini, parabenizou o PNUD pelo lançamento do RDH 2019. Em sua fala, ela destacou diferentes Brasis, um que se desenvolve e é motivo de orgulho, na ciência e na tecnologia, e outro que ainda envergonha e precisa de ações para minimizar seus desafios. "Temos uma caminhada muito longa para termos um país que se desenvolva de maneira uniforme, levando todos, não deixando ninguém para trás", concluiu. 

Também presente à cerimônia, o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, comentou os resultados do relatório com uma palestra sobre a relação entre a ciência e os grandes desafios para a redução das desigualdades. Ele defendeu que países em desenvolvimento tenham acesso a bancos de dados internacionais e explicou que a inteligência artificial traz benefícios para a humanidade, mas, ao mesmo tempo, gera mudanças para o futuro do emprego. "Isso é um risco, mas também um grande desafio, que pode ser resolvido por meio da qualificação dos trabalhadores", disse.

Novas evidências

Durante o evento, a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD Brasil, Betina Barbosa, fez uma apresentação sobre o relatório e explicou que o RDH apresenta duas questões principais. A primeira: é necessário lidar com os desafios da mudança do clima. A segunda: é preciso aproveitar o progresso tecnológico para reduzir as desigualdades.

De acordo com Barbosa, o documento ainda expõe cinco novas evidências: as disparidades no Desenvolvimento Humano persistem, mesmo considerando que privações extremas foram consideravelmente reduzidas; uma nova geração de desigualdades emerge; as desigualdades se acumulam durante o ciclo de vidas das pessoas e refletem profundos desequilíbrios de poder; medir e responder às desigualdades no desenvolvimento humano demanda transformações nas métricas em uso; para mudar os desequilíbrios, precisamos agir agora – antes que domínios políticos sejam capturados pelo poder econômico.

Dados do Brasil

Entre 1990 e 2018, o país apresenta aumento consistente do seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), um crescimento de 24%. Em relação a 2017, o Brasil apresentou leve crescimento de 0,001 no seu IDH, passando de 0,760 para 0,761. Esse resultado mantém o Brasil  no grupo de países com Alto Desenvolvimento Humano. Sua posição no ranking de 189 países é a 79ª, juntamente com a Colômbia.

Na América do Sul, o Brasil é o 4º país com mais alto IDH. Chile, Argentina e Uruguai aparecem na frente. Teve o quinto maior crescimento no IDH na região entre 2010 e 2018.

No entanto, quando o valor do IDH do Brasil tem descontada a desigualdade, ele apresenta uma perda de 24,5%. A parcela dos 10% mais ricos do Brasil concentra cerca de 42% da renda total do país.

Possibilidades de ação

O Relatório de Desenvolvimento Humano de 2019 faz um chamado para a ação e recomenda políticas públicas que podem apoiar os governos de todo o mundo no combate às novas e variadas formas de desigualdade, que vão para além da renda, das médias e do hoje.

Barbosa relata que as recomendações finais do RDH 2019 incluem:

  1. Finalizar o trabalho do século XX, de modo que todas as pessoas no planeta tenham as liberdades e oportunidades básicas para uma vida digna.
  2. Acompanhar e endereçar as novas desigualdades do século XXI, entendendo a evolução e a expectativa das pessoas em relação ao futuro.
  3. Para os bebês que vão nascer em 2020 e vão ver o século XXII, é preciso preparar o terreno de forma que as desigualdades do presente pertençam ao passado.
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