Foto: Renato Jorge Marcelo

A erradicação da pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares, é peça-chave ao cumprimento da Agenda 2030. Em 2000, o mundo comprometeu-se em reduzir pela metade o número de pessoas vivendo em extrema pobreza e alcançou, nos anos seguintes, ganhos notáveis no desenvolvimento humano. Até 2015, a pobreza havia sido reduzida significativamente, o acesso ao ensino básico e os resultados da saúde melhoraram, bem como houve progresso na promoção da igualdade de gênero e no empoderamento das mulheres e meninas. No entanto, a erradicação da pobreza extrema continua a ser um desafio, com mais de 700 milhões de pessoas vivendo, globalmente, com menos de US$ 1,90 por dia e mais da metade da população global vivendo com menos de US$ 8,00 por dia.

É nesse contexto que especialistas apontam que as metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 1 – Erradicação da Pobreza estabelecem "planos de ação" para que todas as pessoas tenham acesso a uma renda básica que garanta uma vida digna e de qualidade para todas e todos.

"A pobreza é um tema transversal. Certamente ela está ligada a outros fatores que influenciam no alcance do desenvolvimento sustentável, como o acesso à água potável e saneamento, energia e saúde de qualidade, por exemplo. As metas do ODS 1 estabelecem esse compromisso de olharmos para aqueles que estão em pior situação. No entanto, as metas são só o início. Elas dão os horizontes do que os países têm que fazer. Mas elas não são a palavra final em si mesmas. São só o início e também atuam como parâmetros para o acompanhamento da implementação dos ODS", diz o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) Pedro Herculano de Souza.

Outro fator central para a implementação da Agenda 2030 e que é uma das metas do ODS 1 é a renda das famílias em todo o planeta. De acordo com o pesquisador do IPEA, o aumento da população global vivendo em áreas urbanas demanda mais recursos para acesso a serviços básicos em diferentes áreas. "A renda é muitas vezes a necessidade mais vital das famílias. A população urbana cresce cada vez mais e, para ter acesso a quase tudo, as famílias precisam de dinheiro. Sem renda suficiente, as famílias moram em casas inadequadas, têm baixo acesso a bons serviços de saúde e, consequentemente, sofrem mais, o que vai na contramão do desenvolvimento sustentável", afirma Souza.

No âmbito da Agenda 2030, a Coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD, Samantha Salve, aponta que conexão entre as 169 metas também é fator relevante para o alcance do desenvolvimento sustentável. "Pessoas em situação de extrema pobreza vivem também insegurança alimentar, falta de acesso à saúde, abandono escolar e enfrentam desigualdades. No aspecto econômico, essas pessoas também são impactadas negativamente. No aspecto ambiental, sabe-se que a pobreza está ligada à ocupação irregular do solo e da água, à falta de acesso à moradia, entre outros problemas. Fica evidente aqui também o caráter holístico da Agenda 2030 e a necessidade de compreender que os desafios que temos pela frente são complexos e interligados e, por isso, demandam políticas públicas integradas para o desenvolvimento humano sustentável", explica Salve.

Dados desagregados

A existência de uma base de dados desagregados por sexo, raça, renda, longevidade, entre outros aspectos, também é destacada como ferramenta para a promoção de políticas públicas que fortalecem o monitoramento dos ODS.

"Podemos falar, por exemplo, do percentual de pobreza no Brasil. Mas quem são essas pessoas? Desagregando os dados podemos focalizar melhor as políticas públicas e ações sociais de maneira que ninguém seja deixado para trás no processo de desenvolvimento. A desagregação dos indicadores de monitoramento dos ODS permite perceber quais são os grupos sociais que se encontram em maior vulnerabilidade", afirma.

Mais informações:

Confira a série "Cadernos ODS", produzida pelo IPEA, que divulga análises sobre as linhas dos indicadores de monitoramento das metas da Agenda 2030.

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