Crédito da Foto: Ministério do Meio Ambiente

 

 

Multiplicar ações de cidadania ambiental nas regiões onde vivem, seja na periferia da maior cidade do país, seja em uma unidade de conservação, seja em uma comunidade indígena, é o propósito de quatro jovens, cujas histórias de vida se cruzaram durante uma imersão realizada em Brasília. A iniciativa teve o objetivo de envolver jovens lideranças nas discussões sobre sustentabilidade e mudança do clima a partir do conhecimento das políticas públicas sobre o tema. O projeto, resultado de parceria entre Ministério do Meio Ambiente (MMA) e PNUD, quer criar uma “rede” de jovens para engajamento das causas ambientais em centros urbanos, povoados indígenas, áreas rurais e de conservação.

Pela primeira vez, a jovem Franciele Costa, 23, saiu da Reserva Extrativista do Rio Cautário, em Rondônia, onde mora, e conheceu um grande centro urbano. Do município Costa Marques até Brasília foram mais de 2,3 mil quilômetros percorridos. Na capital, pôde compartilhar a rotina e a cultura de quem vive na unidade de conservação.

“Nós, povos tradicionais, vivemos da coleta da castanha, do açaí e da seringa. Temos conexão direta com a floresta, vivemos dela, tanto a alimentação da família como o nosso local de moradia”, contou a estudante do 6º período de Biologia.

A também professora de agroindústria e agroecologia lembrou a infância na reserva extrativista e como a percepção sobre o meio ambiente mudou. “Quando a gente é pequeno, acredita que tem tudo em abundância. Mas, conforme vamos crescendo, vai surgindo a preocupação com a natureza”, disse.

A Reserva Extrativista do Rio Cautário faz parte do maior projeto de REDD+ em uma unidade de conservação estadual brasileira. Esse tipo de modalidade de conservação é um incentivo criado pelas Nações Unidas para recompensar financeiramente países em desenvolvimento por práticas de redução de gases de efeito estufa.

Conhecimento

Com incentivo dos pais e vontade de aprender, Franciele investiu em qualificação. “Meus pais são pessoas simples do campo, que não têm estudo, mas sempre incentivaram os filhos a estudar. E eu queria entender mais sobre o local onde vivo”, argumentou sobre a escolha pela área ambiental.

Para ela, a troca de experiências com outras jovens enriquece a causa sustentável. “Acredito no poder do diálogo. Assim como eu, outras pessoas também estão buscando conhecimento. [Aqui, conheci] pessoas diferentes, com posicionamentos diferentes, mas que no final têm objetivos em comum: a preocupação com as mudanças climáticas”, afirmou.

Quéren-Hapuque Luna, 22, moradora do Rio Branco (AC), teve o mesmo posicionamento da colega. “A juventude deveria ser a mais interessada no assunto da agenda climática, caminhar lado a lado, independentemente das divergências e opiniões”, defendeu.

Estudante do 3º ano do Ensino Médio, Myrelle Marchl, 18, dedica-se a causas sociais e ambientais no bairro de Capão Redondo, em São Paulo (SP), onde mora. Com a capacitação, a ideia da jovem é mobilizar os colegas da escola para atuarem em suas comunidades e, assim, criar uma rede de apoio. “É uma experiência única. Muitos jovens gostariam de estar no meu lugar. [Entendendo] um pouco mais, [posso] trazer mais jovens para esse engajamento em relação ao clima”, destacou.

A diretora de Ecossistemas da Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientes, do MMA, Julie Messias, explicou que um dos exercícios realizados com o grupo durante a semana de imersão foi o de reconhecimento territorial. “[Falamos sobre] quem eles [jovens] são, como suas próprias histórias de vida podem conectar outras pessoas para esse engajamento, que é ter uma rede de diálogo”, disse. Para ela, esse tipo de iniciativa insere a juventude dentro de um “espaço de governança”, onde podem expressar suas opiniões.

A secretária da Amazônia e Serviços Ambientes, Marta Giannichi, acrescentou que espera a multiplicação do que foi ensinado. “A gente espera que ao retornarem para suas comunidades, elas levem tudo aquilo que aprenderam por aqui.”

 COP26

A primeira edição do projeto Missão de Jovens para Engajamento de Rede teve a parceria do PNUD e ocorreu em setembro, antecipando-se também à 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26). O grupo conheceu as políticas públicas internacionais sobre o meio ambiente, com visitas às embaixadas da Itália e do Reino Unido, países parceiros na organização do evento mundial.

“Recebi essas jovens aqui no ministério para ouvir a contribuição delas em relação à Conferência do Clima. É muito importante o engajamento de jovens na agenda do clima, para garantir um futuro ao nosso país”, ressaltou o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite.

Em trabalho remoto por causa da pandemia de COVID-19, o PNUD conversou com as jovens por videoconferência dias antes da visita delas a Brasília. "Essas jovens representam uma nova geração que está muito mais atenta ao meio ambiente e às mudanças do clima e vão buscar uma atuação em rede para impulsionar um movimento transformador em prol da sustentabilidade",  destacou Maristela Baioni, do PNUD, após participação na videoconferência.

 O futuro também é preocupação da indígena Eriya Pinhanta, 18. Filha de duas lideranças indígenas, Nedina Yawanawa e Moisés Ashaninka, a jovem cresceu na Região Norte vendo a luta dos pais na defesa de direitos e do território onde vivem.

“Quero me fortalecer de todas essas informações que estão sendo dadas. Quando eu voltar para o meu povo, vou mostrar para eles a capacidade que a gente tem de mudar tudo o que está acontecendo agora. É a nossa vida. É o nosso futuro”, enfatizou.

Eriya participa de agendas culturais na organização de mulheres indígenas chamada Sitoakore, em Rio Branco. “Vamos engajar mais jovens que moram na cidade, que precisam desse conhecimento. Através deles, vamos chamar outros povos. Não só os povos que eu represento”, disse.

A indígena compartilhou sua vivência com o grupo de meninas, em Brasília, falando um pouco sobre o rito dos cantos sagrados. “Na aldeia, [antes de iniciarmos qualquer conversa, nós cantamos]. As músicas [fazem as pessoas] sentirem, mesmo que elas não entendam nossa língua”, expressou.

MMA e PNUD.

 

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