Crédito da foto: Secretaria da Agricultura e Desenvolvimento Rural de Sergipe

Após passar anos em São Paulo (SP), o sergipano Iraílton Correia da Silva, de 41 anos, decidiu retornar ao estado de origem e trabalhar com o que mais amava: sua própria terra. Recebeu, a partir de 2018, apoio do projeto Dom Távora para criar ovinos, bovinos, caprinos e formalizar uma associação de pequenos produtores rurais em Pouso Verde (SE).

A história de Iraílton assemelha-se à de mais de 6 mil famílias atendidas nos últimos anos pelo Dom Távora, projeto do governo de Sergipe apoiado pelo PNUD que atingiu seu objetivo de reduzir a pobreza rural no estado, beneficiando centenas de comunidades em 15 municípios no Semiárido e no Baixo São Francisco.

Financiada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a iniciativa foi concluída neste ano após ter incrementado a produção rural do estado de forma descentralizada, gerado renda aos mais pobres e garantido a segurança alimentar de milhares de camponeses.

“O projeto nos deu liberdade para criar. Consegui fazer melhorias no meu terreno, colocar arame farpado, perfurar poços artesianos e comprar ração. Digamos que a produção e o terreno se valorizaram uns 200%. Como beneficiário, posso dizer que foi uma coisa muito boa”, conta Iraílton, lembrando que tal apoio foi essencial especialmente no período da crise sanitária e socioeconômica provocada pela pandemia de COVID-19.

Ao longo dos últimos quatro anos, o PNUD forneceu assistência técnica presencial e remota a pequenos produtores organizados em associações rurais, assentados da reforma agrária e comunidades quilombolas, por meio da contratação de 94 consultores. A análise do perfil dos beneficiários indica a predominância de mulheres negras, representando 75% das mulheres atendidas. Do total, 16% se identificaram como quilombolas, e 9% são assentadas.

Outros impactos positivos incluíram formalização e mais autonomia de associações e cooperativas de produtores, o que gerou mais produção, empoderamento socioeconômico e redução do êxodo rural. Presidente da Associação de Desenvolvimento Comunitário São Sebastião, Iraílton lembra que a organização só deslanchou após a chegada do projeto.

“Foi um longo caminho. Técnicos do PNUD nos orientaram sobre como regularizar a documentação. Agora, todo problema da comunidade é levado à associação, como questões de infraestrutura, de fornecimento de água. Em seguida enviamos as demandas à Prefeitura”, diz ele, completando que a formalização permitiu mais interlocução com o poder público.

“Sergipe tem uma dependência muito forte da agricultura, e há um grande contingente populacional nessas áreas beneficiadas. O projeto trouxe dois grandes benefícios: garantir produção econômica para o estado, em termos de valor agregado do PIB, porém, mais importante: distribuiu renda”, afirma o coordenador do Escritório de Projetos do PNUD na Bahia e responsável pelo Dom Távora, Leonel Leal Neto.

De fato, Sergipe tem na agricultura familiar grande força motriz. Segundo dados de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 77% dos 93 mil estabelecimentos rurais sergipanos são de pequenos produtores. No Brasil, a agricultura familiar é a principal responsável pela produção de alimentos disponibilizados para consumo da população.

Atendendo diversas cadeias produtivas, o Dom Távora criou 155 planos de negócio para setores como ovinocaprinocultura, artesanato, avicultura, aquicultura, pesca artesanal, turismo, entre outros. Houve redução de 10% da pobreza rural no público beneficiado – frente a um aumento de 73% na comunidade não atendida –, com investimentos de R$ 109,3 milhões pelo FIDA e pelo governo do estado.

A piscicultora Edjan Alves das Neves, de 44 anos, moradora de Neópolis (SE), explica que os produtores locais enfrentavam dificuldades financeiras graves quando o projeto chegou à localidade. Presidente de uma associação de piscicultores, Edjan diz que um financiamento do Dom Távora permitiu a compra de 40 tanques-rede, 40 mil alevinos e 40 mil toneladas de ração, assim como de equipamentos.

“Passamos a ter computadores, barcos, motores, equipamentos de temperatura. Graças ao Dom Távora, a produção está andando. Nos ajudou muito e até hoje está ajudando 19 famílias”, atesta a piscicultora, cuja associação recebeu apoio e capacitação de engenheiros de pesca para monitoramento dos tanques e da mortalidade dos peixes.

“A vida dos pescadores era muito difícil, consumíamos tudo o que pescávamos. Agora, temos peixe em abundância e podemos vender. Mesmo durante a pandemia, os técnicos do PNUD não deixaram de nos apoiar”, declara Edjan, lembrando que o período de crise trouxe algumas dificuldades, como o aumento do custo da ração. A expectativa da comunidade é de que novos projetos sejam implementados na região.

Assessores do Dom Távora também apoiaram rendeiras quilombolas na produção de máscaras faciais e Equipamentos de Proteção Individual (EPI), vendidos a instituições estatais e posteriormente entregues à população local.

Durante a pandemia, o projeto adotou tecnologias digitais para continuar fornecendo apoio aos produtores rurais. Por meio de aplicativos de mensagem, técnicos deram aconselhamento individual aos beneficiários, compartilhando informações e coordenando ações conjuntas por meio de grupos temáticos. 

Como resultado do aumento do uso de tecnologias para mitigar os efeitos do distanciamento social, adolescentes e jovens tornaram-se mais engajados nos processos de produção e marketing, ajudando seus pais a lidar com esses novos desafios. O projeto realizou oficinas e capacitações para que eles se tornassem líderes no processo produtivo.

“As novas gerações estão agora interessadas na produção, que está passando de pais para filhos. Meu filho já tem um tanque, sabe de onde vai tirar sua renda”, celebra Edjan. Ela também comemora o fato de as mulheres passarem a ter um papel mais ativo na produção. “Elas passam o dia verificando os tanques, e os homens dão o suporte à noite. Está dando certo assim”, contou. 

Responsável pela iniciativa, o coordenador do Escritório de Projetos do PNUD na Bahia diz concordar que o projeto trouxe maior percepção da interdependência produtiva entre os setores e entre as gerações.

“Houve envolvimento por parte dos mais jovens, que anteriormente não se interessavam pela vida no campo e migravam. Passamos a ver adolescentes e jovens retomando a atividade no campo, trazendo novas tecnologias para a produção de peixes, galinhas, ovelhas e cabras”, conta Leonel, elogiando o engajamento da estrutura governamental do Estado de Sergipe, como da Secretaria de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural.

Ao investir no incremento dos pequenos negócios rurais, com foco nas cadeias produtivas e na sustentabilidade, o Dom Távora ajudou pequenos agricultores, contribuiu para a erradicação da pobreza e, por meio da geração de renda, deu condições de permanência no campo a trabalhadoras e trabalhadores rurais – temas que fazem parte do mandato e da atuação do PNUD.

Com o encerramento do projeto, está em implementação uma “estratégia de saída”, na qual serão determinados órgãos públicos estaduais e municipais, universidades, dentre outros parceiros, que deverão continuar prestando assistência técnica aos produtores, de forma que eles não percam os ganhos conquistados.

“Quem mais produz para a mesa do povo somos nós, agricultores familiares. Fui para São Paulo, onde trabalhei por 12 anos e ganhava até bem, mas não estava satisfeito. Eu queria voltar para a minha terra e fazer com que meu povo tivesse renda. Estamos vencendo”, conclui Iraílton.

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